Partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL divulgou nota afirmando que as investigações da Polícia Federal sobre o caso das candidaturas laranjas têm o objetivo de atingir a sigla.

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“Todos os partidos políticos do Brasil tiveram candidatas cujo resultado nas urnas foi aquém da expectativa”, diz a nota, referindo-se parcialmente a um dos indícios clássicos de candidaturas de fachada, as que recebem altas somas de dinheiro público, mas têm votação irrisória.

“Só podemos classificar essa como uma investigação seletiva, com o objetivo de atingir o partido ao qual o presidente da República é filiado, embora ele não tenha nada a ver com isso. Todas as contas de campanha do PSL foram aprovadas pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e tudo foi feito dentro da legalidade”, acrescenta a nota.

As contas de campanha de 2018 ainda não foram aprovadas em sua integralidade. Candidatas do PSL suspeitas de serem laranjas, por exemplo, tiveram essa análise suspensa até a conclusão das investigações.

O PSL é comandado nacionalmente pelo deputado federal Luciano Bivar (PE), que também é alvo de investigações da PF e do Ministério Público sob a suspeita de ter replicado o esquema em Pernambuco, sua terra natal.

Nesta quinta-feira (27), a Polícia Federal prendeu em Brasília e em Minas Gerais um assessor especial e dois ex-assessores do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) em razão de investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018.

Procurada pela reportagem, a defesa do assessor especial, Mateus Von Rondon, afirmou que não se manifestaria sobre a prisão e a investigação. A reportagem não localizou os advogados de Robertinho Soares e Haissander de Paula, os dois ex-assessores de Álvaro Antônio.

Em nota, o Ministério do Turismo afirmou não haver vínculo entre as apurações da PF e as atividades de Von Rondon na pasta.

“É importante esclarecer que não há qualquer relação entre a investigação da Polícia Federal e as funções desempenhadas pelo assessor especial Mateus Von Rondon no Ministério do Turismo.”

Bolsonaro tem dito que a situação do ministro do Turismo causa desgaste para o governo e que esperaria a conclusão da apuração da PF para decidir o destino de Álvaro Antônio. O presidente está em viagem ao Japão e ainda não se manifestou sobre as prisões desta quinta-feira.

A Polícia Federal vê elementos de participação do ministro na fraude. Segundo os investigadores, foram encontrados indícios concretos de que houve irregularidade na prestação de contas das campanhas.

Em visita à CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, saiu em defesa de Álvaro Antônio e disse que o Palácio do Planalto tem confiança nele. Para ele, as prisões não desgastam a imagem da gestão Bolsonaro.

“Isso tudo são questões que não têm nada a ver com o governo”, disse. “O ministro continua fazendo o seu trabalho, servindo o país e já reiterou que não tem nenhum envolvimento nessa questão. O governo continua confiando no seu ministro”, afirmou Onyx.

A avaliação de integrantes da cúpula militar, no entanto, é a oposta. Para eles, Bolsonaro já deveria ter afastado o ministro desde o início da investigação da Polícia Federal, uma vez que sua permanência, nas palavras de assessores palacianos, se tornou “insustentável” e prolonga uma crise política.

Eles dizem não acreditar, no entanto, que o presidente tomará alguma decisão, como um eventual afastamento do ministro, durante a sua viagem ao Japão, onde participa da cúpula do G20.

A prisão de assessores do ministro traz abalos ao governo, segundo admitiram aliados.

“Está se avançando nas investigações. Logicamente, a situação cria abalos para todos nós. Mas que se apure e se responsabilize quem tem que ser responsabilizado”, disse o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP).

A oposição no Congresso vê uma tentativa de blindagem do ministro para não afetar a reforma da Previdência.

O líder da Minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que vai apresentar requerimento para convocar o ministro na CTFC (comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor).

“Os que foram presos têm que falar. Esperamos que possam confirmar ou negar que este fato aconteceu para que não paire dúvida sobre a conduta do ministro”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

O caso das laranjas do PSL levou à queda do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou o partido nacionalmente em 2018.

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